★ Menção Honrosa no Concurso Internacional de Desenho Urbano para o Bañado Norte, promovido pela Secretaria Nacional da Habitação e do Habitat (SENAVITAT) e pelo Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF). Proposta desenvolvida em parceria com o escritório TESE Tecnologia Arquitetura e Cultura LTDA.
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A área de intervenção do concurso corresponde a um polígono de 514 hectares localizado no Bañado Norte da cidade de Assunção, capital do Paraguai, região dotada de uma série de condicionantes físico-ambientais e socioculturais que, aliados ao desenvolvimento do Plano ASUVIVA e à construção da 2ª etapa da Av. Costanera, estabeleceram os critérios de intervenção da proposta.
O Rio Paraguai, com seu regime de cheias, é o principal elemento estruturador da identidade local. A proposta de ocupação parte do resgate desta identidade, restaurando o protagonismo do rio a partir da elaboração de uma nova Frente Ribeirinha, contemplando a resiliência da área a eventos climáticos e sua vinculação com o restante da cidade, soluções para o habitat dos atuais residentes e definições de desenho urbano, uso do solo e morfologia, através da criação de: um Passeio Costaneiro contínuo; da integração entre a cidade e o Rio; da solução dos problemas das populações (6.000 famílias) em área de risco situadas abaixo da cota +64m (cota de segurança); da geração de novas oportunidades a todos os habitantes de Assunção, da recuperação e valorização do patrimônio ambiental e cultural e da descaracterização da atual situação de abandono social através da inserção do poder público na região.
Assim, a partir da identificação de duas macrozonas atuando no território, pôde-se estabelecer os critérios de intervenção específicos para cada uma delas: as Áreas de Renovação Urbana (Terras Baixas), caracterizadas pelo risco de alagamento sazonal e pela situação precária da moradia, para a qual foi proposto um novo padrão de ocupação; e as Áreas de Requalificação Urbana (Terras Altas), cuja antropização é de caráter consolidado e demanda intervenções pontuais com o intuito de dotá-las de nova vitalidade.
A criação de um Sistema Ambiental através da interconexão dos maciços hídricos (Rio Paraguai, arroios, lagoas e Baía de Assunção) e da implantação do Canal Cara-Cara, com o intuito de gerar um fluxo contínuo da água – contribuindo para a salubridade através da redução da estanqueidade –, da criação de corredores da biodiversidade e do redesenho da cota +64, delimita a divisão entre o Compartimento Ambiental e as áreas urbanizáveis denominadas de Compartimentos Urbanos. Nestas, propôs-se a adequação do sistema viário a fim de condicionar e desafogar o trânsito e melhorar a mobilidade urbana de Assunção, assim como a acessibilidade e conectividade da região com o restante da cidade.
Nas “Terras Baixas”, com o traçado viário proposto, foram criadas novas áreas edificáveis (“células urbanas”), dotadas de zoneamento específico, sustentado por três elementos básicos: taxa de ocupação, densidade e flexibilidade, a partir da diversidade de tipologias, usos e faixas de renda – com a inserção de percentuais mínimos de edificações para habitação de interesse social, a fim de evitar a gentrificação e a formação de guetos, valorizando a diversidade e a coexistência.
Nas “Terras Altas” ou áreas de requalificação, foram sugeridas pequenas intervenções no tecido urbano existente, visando a diminuição do tráfego de automóveis, valorização do pedestre, aumento da fruição do espaço público e da vitalidade urbana através da criação de centralidades de bairro.