★ 3º Lugar em Concurso Público Nacional de Anteprojeto para o Agenciamento e Paisagismo da Praça Central de Guaratuba, organizado pela regional paranaense do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB-PR). Proposta elaborada em parceria com TOMO Arquitetura.
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A Praça Central é de extrema importância para o Município de Guaratuba, tendo sido o marco zero da construção da cidade. Próxima à Baía de Guaratuba, perdeu parte de sua importância no tecido urbano, sendo toda a região do seu entorno considerada hoje como “fundos” da cidade. É dotada de importante conjunto arquitetônico, destacando-se a Igreja Nossa Senhora do Bom Sucesso, bem tombado pelo IPHAN. Não obstante, este sítio encontra-se fortemente degradado e desvalorizado.
Sua função primeira é cívica, de proteção da história e da cultura de uma população. Nossa proposta parte deste resgate histórico: estabelece a primazia visual da igreja, assegurada pela esplanada projetada em sua frente, e retoma o marco zero, reinterpretado por uma fonte corrente de água, que reflete a Igreja. No desenho de piso e na vegetação pontuamos a coloração vermelha dos Guarás – pássaro que dá nome à cidade.
A ideia de uma praça expandida, que transpassa seus limites e comporta, como extensão destes, as ruas do entorno imediato e as que ligam a Praça à Baía de Guaratuba, é um dos fundamentos principais da proposta, constituindo algo como um platô contínuo com ruas elevadas ao nível do pedestre, protegidas por balizadores, e com velocidade de tráfego diminuída. A Avenida 29 de Abril é um importante eixo da cidade.
Tangenciando a praça, ela conecta duas grandes porções de água: o Oceano Atlântico – desde a praia – à Baía e suas deslumbrantes vistas da Serra do Mar. Propomos fortificar essa relação através da requalificação de parte da avenida com o aumento das calçadas; a criação de um desenho de piso unificado ao da praça; a distribuição de equipamentos e mobiliário urbano (bancas, quiosques, espaços de estar); o estímulo à diversidade de modais (paraciclos e passeios qualificados para pedestres); a redução do número e reorientação das vagas de estacionamento; a reserva de espaço para a colocação de mesas e cadeiras para animação dos estabelecimentos comerciais; a marcação visual deste eixo através de duas linhas de palmeiras Jerivá, desenho que pode se estender posteriormente ao longo de toda a avenida.
Foram sugeridas intervenções pontuais nos edifícios do entorno, a serem realizadas pelos próprios proprietários, visando revalorizar e estimular a ocupação e a diversidade de usos.
A função educacional e cívica da praça só é alcançada, conquanto o uso contínuo e qualificado for estabelecido. Conceitualmente, a praça foi setorizada em quatro áreas:
– equipamentos (playground e academia ao ar livre) e maciços vegetais;
– explanada cívica e valorização do patrimônio;
– área de transição (gramados de permanência, piqueniques, bancos e chaises de descanso à meia sombra);
– eixo de animação da Avenida 29 de Abril.
A noite a praça se transforma: acendem-se uma malha de luz embutida no piso, criando um eixo em direção à igreja, e luzes internas ao espelho d’água que simboliza o marco zero, convertendo-o num volume etéreo de luz.
No paisagismo foram especificadas espécies nativas da mata atlântica, possibilitando menos perda no plantio, além de estimular o conhecimento e apreço da população à fauna e flora local. Para racionalizar a obra e evitar o desperdício de material, todo o desenho é modulado, o que auxilia também na composição plástica da proposta.